Introdução
Todo cristão algum dia escutou sobre a onipotência de Deus e comoveu-se ao perceber sua grandiosidade, mas quantos de nós verdadeiramente parou para analisar o peso e a grandiosidade deste atributo incomunicável? Caso o querido leitor jamais tenha parado para pensar sobre o paradoxo da onipotência ou tenha o feito apenas de forma superficial, mas seja um novo convertido, então não se desespere! O seu aprendizado iniciou agora e não apenas este tema ser-vos-á apresentado de forma evolutiva e contínua, basta que jamais pare de buscar o conhecimento nas e das Escrituras. Contudo, aos que possuem tempo de estrada no cristianismo e jamais ultrapassaram a superfície deste conteúdo, convido-lhes a repensar seu compromisso com este assunto visto que é fonte basilar para o conhecimento acerca de Deus e um embate histórico que resvala inclusive em outros atributos também incomunicáveis dEle, reforça nossa cosmovisão cristã e, portanto, não devemos mais procrastinar tal aprendizado.
Deixo claro, com muita alegria no coração e no amor de Cristo, que leitores de todos os credos, pensamento, cosmovisões, fés e afins, deixar-me-ão muito feliz ao lerem e serem levados a repensar sua percepção ou mesmo compreender a visão deste que vos escreve, entretanto, reforço que este documento é direcionado àqueles que professam a fé Cristã. Nosso foco aqui é fazer os cristãos aprofundarem-se nesse tema cujo desconhecimento pode resultar em uma fé esquálida e com cosmovisão anêmica, quando menos.
Imagine-se deparando com o seguinte questionamento: “Pode Deus criar uma pedra que não consiga levantar?”. Cuidado com a resposta para não resvalar no subterfúgio inerente a natureza desta pergunta. Ao dizermos que Deus é poderoso a ponto de criar algo para além de seu controle (neste exemplo, a pedra) criamos a possibilidade de alguma criação ser superior ao criador e/ou imune a algum ou qualquer de seus desígnios ou decretos. Quando menos, estaremos gerando uma deidade que até possui certa transcendência, mas de imanência questionável. Por outro lado, dizermos que Deus não pode gerar algo – qualquer que o seja – pode resultar em uma fissura irretocável em Sua transcendência ao limitar esta capacidade criadora. Percebam que não é uma resposta tão simples, ainda assim objetivamos explanar a resposta para ela à luz dos escritos de Tomás de Aquino.
Escopo
O texto base que utilizaremos encontra-se na Suma Teológica de Tomás de Aquino, na Questão 25 – Da Potência Divina e especificamente o Art. 3 – Se Deus é Onipotente. Visto que Aquino precisou responder a questionamentos do pensamento Aristotélico, faz-se necessário pincelarmos também os Arts. 1 – Se Deus tem potência e 2 – Se a potência de Deus é infinita. Também nos debruçaremos com um maior carinho no Art. 4 – Se Deus pode tornar o passado inexistente; visto a bela complexidade que ela pode inserir em nosso diálogo. Este documento não contemplará os Arts. 5 – Se Deus só pode fazer o que faz e 6 – Se Deus pode fazer coisas melhores do que faz.
Contextualização
Algum dia deves ter escutado a frase “Ninguém banha-se duas vezes no mesmo rio, pois na segunda vez você nem o rio são os mesmos.” Este belo pensamento tem origem no pai da dialética: Heráclito de Éfeso1. Filósofo pré-socrático e defensor da fluidez e mutabilidade constante como força criadora. Em sua percepção o deus2 não é pessoal nem criador mas um ser ou entidade capaz de governar ou gerenciar as forças da natureza que são consequência da colisão ou tensão entre os opostos. Se cremos em um Deus onipotente e imutável não precisamos de muito esforço para perceber que são pensamentos diametralmente opostos. Cremos em um Deus Criador de tudo e que toda a criação está e nunca saiu de sua regência. Cremos também que Deus é imutável e o padrão fixo para todos os atributos comunicados ao ser humano.
Enquanto isso Parmênides3 defendia uma percepção totalmente oposta à de Heráclito pois via a transitoriedade como uma ilusão e apenas aquilo que é imutável pode ser real. Segundo Maria Eduarda Bandeira Cardoso dos Santos, para Parmênides “nossa própria razão nos obriga a assentir que o ser existe e é imutável, pois o que muda não é, e se não é, não existe, portanto, o ser é imóvel.” (CARDOSO DOS SANTOS, Maria Eduarda Bandeira., 2013). Em suma, o Ser é único, eterno e imutável, e o quê passa disso é ilusão, não existe (não é). Então podemos pensar que é um pensamento plenamente aderente ao cristianismo? Ledo engano querido leitor. Por essa linha de pensamento a criação é eterna e “não criada” e isso coloca em pé de igualdade criatura e criador, visto que ambos não teriam início nem fim. Ouso dizer que isso consubstancia Deus e todo o universo. Se cremos na ressureição dos eleitos em corpos glorificados quando da Parusia, não há como compactuarmos com a noção de imutabilidade, eternidade e realidade de Parmênides. Lembrem-se da chaga que foram os Saduceus no Novo Testamento ao rejeitarem a Ressureição dos Mortos.
Se não há como negar a realidade da imutabilidade e onipotência de Deus, criador de tudo e de todos, nem a realidade das mudanças que ocorrem na própria criação, quais dos dois pensadores está errado? Aristóteles4 aparece da coxia para integrar os dois pensamentos e mostrar que não há divergência entre POTÊNCIA e ATO.
Potência (dýnamis) é quando há capacidade de ser algo, embora isso ainda não esteja materializado ou executado de fato. Se você já teve aulas básicas de física deve ter familiaridade com o termo “Energia Potencial”, onde há a capacidade de executar trabalho.
Ato (enérgeia ou entelécheia) pode ser entendido como a realização efetiva da potência. A plenitude criada ou formada daquilo que antes era apenas capacidade, possibilidade ou potência. Continuando nossa analogia façamos uma comparação com a “Energia Cinética”, onde a capacidade de trabalho existente na Energia Potencial finalmente vem à luz.
Essa passagem de Potência em Ato é realizada pela “Mudança” ou “Movimento”; realização daquilo que está em potência. Percebamos que uma Semente que pode mudar de três formas: Quando seca no solo ela é pura potência pois pode transformar-se em árvore. Sua germinação é o Movimento ou sua passagem da potência para o ato. A árvore crescida é o Ato em si, ou a realização plena daquilo que estava apenas em Potência. Esta mesma árvore desenvolve novas Potências como a de frutificar, tornar-se cadeira, adubo quando de sua morte etc. Percebamos o Movimento pendular entre Potência e Ato5 e será impossível dissociá-lo de Lavoisier pois “Nada se cria e nada se destrói, tudo se transforma”, a teoria da conservação da matéria.
“Aristóteles, ao tentar solucionar essa questão, não nega o vir-a-ser de Heráclito, nem o ser de Parmênides, mas une-os em uma síntese explicativa da realidade sensível. Ele se depara com a tarefa de garantir a existência concreta do ser, sem negar, contudo, o movimento presente na natureza. Evitando a contradição por meio da interpretação analógica da noção de ser, Aristóteles propõe que se faça uma distinção quanto ao ser. Este não é apenas o que já existe em ato, mas também é o que pode vir a ser em ato, ou seja, o que existe em potência. Assim, sem contrariar qualquer princípio lógico, ele estabelece que uma substância, em um dado momento, apresenta certas características e, em outro momento, apresenta características diferentes.”
(CARDOSO DOS SANTOS, Maria Eduarda Bandeira., 2013)
E como tudo isso influencia a discussão proposta na introdução desse texto? Estamos lançando as bases que compreendemos como capacidade (Potência) criadora de toda a criação (Ato). Agora o querido leitor consegue perceber como foi difícil à humanidade, especialmente para os ocidentais, aprender e construir o conceito de um Deus criador Onipotente, imutável e eterno que trouxe à existência a partir do nada e tem sustentado toda a criação, ou seja, a doutrina creatio ex nihilo (Criação a partir do nada)?
Respostas Tomistas
E como tudo isso influencia a discussão proposta na introdução desse texto? Estamos lançando as bases que compreendemos como capacidade (Potência) criadora de toda a criação (Ato). Agora o querido leitor consegue perceber como foi difícil à humanidade, especialmente para os ocidentais, aprender e construir o conceito de um Deus criador Onipotente, imutável e eterno que trouxe à existência a partir do nada e tem sustentado toda a criação, ou seja, a doutrina creatio ex nihilo (Criação a partir do nada)?
Art. 1 – Se Deus tem Potência
No pensamento Aristotélico Deus era Puro Ato (Actus Purus), chamado de Motor Imóvel e embora isso denotasse eternidade, imutabilidade e perfeição, retirava a Potência de Deus. Assim o sendo teríamos uma deidade FINALÍSTICA, NÃO CRIATIVA e NEM IMANENTE, transformando Deus no fim, consequência ou resultado de tudo, mas jamais seria a origem de algo e, além disso, totalmente separado de sua criação que – após a formação das leis naturais – seria deixada a esmo, como um grande relojoeiro capaz de conectar e “dar vida” a suas engrenagens, acaba por distanciar-se do relógio e o deixa viver livremente e sem qualquer interferência de Sua parte6. Segue a resposta dada por Tomás de Aquino onde mostra que Deus é sim POTÊNCIA ATIVA capaz de originar tudo e qualquer coisa conforme sua vontade e sem depender de qualquer outra intervenção:
“Há duas espécies de potência — a passiva, que de nenhum modo existe em Deus; e a ativa, que lhe devemos atribuir, soberanamente. Pois, como é manifesto, um ser é principio ativo de um efeito, na medida em que é atual e perfeito; e recebe uma ação, na medida em que é deficiente e imperfeito. Ora, como demonstramos, Deus é ato puro, absoluta e universalmente perfeito, não deixando lugar a nenhuma imperfeição. Por isso, soberanamente lhe convém ser princípio ativo, mas de nenhum modo, passivo. Pois, a natureza de princípio ativo convém à potência ativa, por ser esta princípio de ação transitiva. A potência passiva, pelo contrário, é princípio de sofrer a ação exterior, como diz o Filósofo. Donde se conclui, que Deus tem soberanamente a potência ativa.”
(Aquino, 1274)
Art. 2 – Se a Potência de Deus é Infinita
A percepção do Filósofo que Deus é apenas Ato, e consequentemente finalístico, resulta na impossibilidade de tratá-Lo como infinito. Confesso que não é algo tão simples de imaginarmos devido a abstração inerente a este princípio, mas tentemos visualizar o seguinte: para Aristóteles Deus é completo em Si mesmo, perfeito, imutável em sua essência e, consequentemente O Ato Puro; enquanto isso o Infinito é visto sempre ligado à Potência, ou seja, algo nunca realizado devido a impossibilidade de ser completo, as vezes sendo necessário a complementação com algo e plenamente mutável7; essas são consequências de uma natureza imperfeita. Tratando o infinito como algo incompleto, imperfeito ou inexistente então a resposta natural de Aristóteles é tratar Deus como NÃO INFINITO (ou até mesmo inexistente) o quê diverge diametralmente da descrição de Deus nos livros Vétero e Neo Testamentários. Concatenando essa ideia com a explicitada nos parágrafos anteriores temos Deus como Ato puro finalístico mas não criador nem infinito e, sendo isso verdade, de onde veio o universo? Quem o criou? Não sendo infinito então Deus foi também criação de algo ou alguém anterior e até superior a Ele, fato que destrói os pilares da onipotência e Eternidade, talvez até o da onisciência, rebaixando-o a um demiurgo.
“Aristóteles diz que nenhum ser eterno pode existir potencialmente ou ter potência em si. A razão disso é que toda potência é uma potência do seu oposto. O que tem a potência de existir tem também a potência de não existir, ou seja, aquilo que tem potência pode tanto ser quanto não ser, embora não ao mesmo tempo. O ente que, necessariamente, é não pode existir em potência, pois dizer de algo que “necessariamente é” é o mesmo que dizer que necessariamente existe e, como sabemos, aquilo que existe presentemente existe em ato. Segundo Aristóteles, as coisas que necessariamente existem são os princípios primeiros, as esferas supra lunares e o próprio Cosmos (mundo); são eternos e por isso existem sempre em ato.” (CARDOSO DOS SANTOS, Maria Eduarda Bandeira., 2013)
Reside aí a importância de entendermos a primeira resposta tomista demonstrando Deus como uma Potência Ativa e agora como Infinito também.
“Como já dissemos, a potência ativa existe em Deus enquanto ele é um ser em ato. Ora, o seu ser, não sendo limitado por nada de receptivo, é infinito, como ficou claro pelo que dissemos, quando tratamos da infinidade da essência divina. Por onde, necessariamente, a potência ativa de Deus é infinita. Ora, verifica-se que, quanto mais perfeita é a forma pela qual um agente obra, tanto maior é a sua potência de agir. Assim, quanto mais quente for um corpo, tanto maior será a sua potência de aquecer; e tê-la-ia mesmo infinita se o seu calor fosse infinito. Por onde, a essência divina, em si mesma, pela qual Deus age, sendo infinita, como demonstramos, infinita lhe há de ser a potência.
[…]
A potência de um agente unívoco se manifesta inteira no seu efeito; assim, a potência geratriz do homem só pode gerar outro homem. Mas a potência do agente não unívoco não se manifesta inteira na produção do seu efeito; assim, a potência solar, não se manifesta inteira na geração de um animal nascido da putrefação. Ora, manifestamente, Deus não é um agente unívoco; pois, como demonstramos, nada pode com ele convir, nem em espécie nem em gênero. Portanto, o seu efeito sempre será menor que a sua potência. Logo, não é necessário esta se manifeste infinita, pela produção de um efeito infinito. Mas ainda, nem se frustraria a potência de Deus, se nenhum efeito produzisse. Pois, frustrado fica o que não atinge o fim para que se ordena. Ora, a potência de Deus não se ordena a nenhum efeito, como ao fim; antes, é o fim do seu efeito.”
(Aquino, 1274)
Art. 3 – Se Deus é Onipotente
Finalmente chegamos ao ponto nevrálgico de toda essa dissertação e proponho logo de início uma mudança de ponto de vista para desenvolvimento dos argumentos. Até agora sempre partimos do ponto de vista dos pensadores tentando chegar à compreensão metafísica da coisa e, devido à nossa natureza e limitação não podíamos fazê-lo de forma diferente, mas tentaremos mudar um pouco. Proponho dois exercícios mentais
Exercício 1: Digamos que eu peça para o querido leitor imaginar uma casa onde gostasse de morar de forma confortável. Provavelmente fazendo esse mesmo questionamento a 5 ou 10 pessoas de sua convivência teríamos imagens bastante aproximadas. Mas e se perguntássemos a um indígena de uma tribo com pouco ou nenhum contato com o dito “mundo civilizado”? E se perguntássemos a um nativo romano medieval? Ou a um sumeriano ou etíope? As diversas formas de “casa” que encontraríamos consideram em suas respostas as segmentações históricas, sociais, temporais ou que de qualquer outra forma possam ser vítimas de anacronismos são chamados de PARADIGMAS8. Mas percebamos que em todas as respostas às perguntas anteriores há uma convergência: as casas sempre serão locais de apoio, segurança, conforto, refúgio etc., independente do formato, material, momento ou status social. Um ARQUÉTIPO9 é justamente um modelo superior ou ideal que permanece independente do tempo e que se utiliza dos paradigmas para exemplificar sua essência, princípio ou objetivo. Agora que detemos esse conhecimento, peço para o querido leitor me responder: se não há ou houve nenhum ser animado dotado de onipotência ou mesmo infinito (no sentido de eterno) como essa percepção, conhecimento, curiosidade ou anseio pode ter chegado à humanidade? Como que o imperfeito pode ter gerado o conceito ideal de perfeição ou onipotência? A humanidade até hoje luta para alcançar algo abstrato como a perfeição ou onipotência porque ambos os princípios foram corrompidos pelo relativismo, mas se todos possuem um paradigma acerca disso, QUAL O ARQUÉTIPO DA PERFEIÇÃO, ONIPOTÊNCIA e ETERNIDADE? René Descartes nos responde isso em suas Meditações Metafísicas informando que esses conceitos jamais poderiam ser gestados pelos humanos que são finitos, imperfeitos e impotentes, mas nos foram concedidos justamente por aquele que os são.
“E quanto mais longa e cuidadosamente examino todas as coisas, tanto mais clara e distintamente reconheço que elas são verdadeiras. Mas, enfim, que concluirei de tudo isso? Concluirei que, se a realidade objetiva de alguma de minhas ideias é tal que eu reconheça claramente que ela não está em mim nem formal nem eminentemente e que, por conseguinte, não posso, eu mesmo, ser- lhe a causa, daí decorre necessariamente que não existo sozinho no mundo, mas que há ainda algo que existe e que é a causa desta ideia; ao passo que, se não se encontrar em mim tal ideia, não terei nenhum argumento que me possa
convencer e me certificar da existência de qualquer outra coisa além de mim mesmo; pois procurei-os a todos cuidadosamente e não pude, até agora, encontrar nenhum.
[…]
Portanto, resta tão somente a ideia de Deus, na qual é preciso considerar se há algo que não possa ter provindo de mim mesmo? Pelo nome de Deus entendo uma substância infinita, eterna, imutável, independente, onisciente, onipotente e pela qual que próprio e todas as coisas que são (se é verdade que há coisas que existem) foram criadas e produzidas. Ora, essas vantagens são tão grandes e tão eminentes que, quanto mais atentamente as considero, menos me persuado de que essa ideia possa tirar usa origem de mim tão somente. E, por conseguinte, é preciso necessariamente concluir, de tudo o que foi dito antes, que Deus existe; pois, ainda que a ideia da substância esteja em mim, pelo próprio fato de ser eu uma substância, eu não teria, todavia, a ideia de uma substância infinita, eu que sou um ser finito, se ela não tivesse sido colocada em mim por alguma substância que fosse verdadeiramente infinita”
(Descartes, 1641)
Exercício 2: Toda a beleza que nos é natural tende a cair no esquecimento e a maravilha de vivermos e um mundo TRIDIMENSIONAL não poderia ser diferente. Olhe em volta e perceba que TUDO que está sob sua visão possui ALTURA, LARGURA e PROFUNDIDADE. Uma caneta, uma caneca com água, folha de árvore etc. Ainda assim conseguimos interagir com coisas de um mundo BIDIMENSIONAL, basta pensar em gráficos de uma planilha ou mesmo desenhar um plano cartesiano contendo uma parábola. Nestes casos há apenas ALTURA e LARGURA mas já é possível passar algum tipo de informação, contudo os problemas começam em representações de elementos existentes em uma dimensão superior nas dimensões inferiores. Vejam só, o planeta Terra é tridimensional e um mapa mundo é nada mais que a representação em 2D de um objeto 3D e por isso jamais conseguiremos efetuá-lo perfeitamente. Como resultado há diversos tipos de representação de Mapa Mundo de forma a, focando na finalidade, mitigar a distorção de alguns elementos em detrimento de outros10. Se o leitor ainda não entendeu a ideia convido a ver o vídeo sobre a Quarta dimensão explicada por Carl Sagan11 e não continuarmos esse texto sem antes o fazê-lo. Percebam que o imaginário popular está recheado de obras que tentam falar de outras dimensões e com personagens – agora – conhecidos por todo o mundo (Ex: Dr Manhattan, Thanos, Dr Estranho…) até filmes bastante premiados falam sobre isso de forma densa como Interestelar12. Espero, neste ponto, que todos tenhamos percebido a impossibilidade de representar um atributo exclusivo do plano tridimensional – a profundidade – em um universo bidimensional sem distorcê-lo, como ocorrem nos mapas; partindo do pressuposto que Deus está em um plano diferente do nosso e que possui atributos exclusivos como a onipotência e eternidade, fica claro que jamais conseguiremos compreender tais características extradimensionais em sua plenitude, teremos apenas vislumbres distorcidos daquilo que os são. Agora não nos parece arrogante tentar julgar a onipotência de Deus utilizando métricas meramente humanas?
Peço que reflitam bastante sobre esses dois exercícios mentais pois confesso que não são de fácil compreensão e os queridos leitores nem imaginam quanto tempo investi em tentar ser o mais suscinto possível. Nesta seção tentarei ser um pouco mais pastoral (audacioso, confesso) visto que precisamos agora tentar compreender a impossibilidade de julgar os atributos incomunicáveis de Deus por meio de percepções totalmente humanas e/ou que passem ao largo do cânon Bíblico. Percebamos que mal conseguimos compreender e lidar com o elemento Tempo – onde só conseguimos seguir em uma única direção e de forma contínua, jamais retroceder – então como analisar algo infinito, onde nem sequer o tempo existe ou – se preferirmos essa analogia – permitir-nos-ia “caminhar” em qualquer direção no tempo. Sim, eu sei que complicamos, mas esse é justamente o reflexo de tentarmos compreender a infinitude e onipotência de Deus. Lembremos de Jó nos capítulos 38 e 42:1-6, ou Isaías no capítulo 45:9 e até Paulo em Rm 9:20-21.
Em uma leitura rasa e rápida pode-se tomar Tomás de Aquino como um herege pois ele é claro em dizer que Deus É limitado sim, como ocorre na frase “Donde se conclui que Deus é dito onipotente por poder tudo o que é absolutamente possível”. Mais afrente ele explica o que seriam essas coisas possíveis: “Por onde, tudo o que não implique contradição está contido nesses possíveis, relativamente aos quais dizemos que Deus é onipotente. As coisas, porém, que implicam contradição não constituem objeto da divina onipotência, por não poderem ter a natureza de coisas possíveis.”. Dessa forma Tomás de Aquino diz que DEUS é o ÚNICO LIMITADOR DE SI MESMO, pois pode fazer tudo o que é possível desde que não fira qualquer dos seus princípios ou atributos. Isso coaduna perfeitamente com as Sagradas Escrituras pois retira o martelo e a toga do homem demonstrando sua incapacidade em compreender este atributo não comunicado e de analisar as ações de Deus por meio das janelas de nossos olhos. Vejamos abaixo alguns textos que corroboram isso:
- Gn 3 – Os atributos de Deus são balanceados e não conflitantes. Ele foi Misericordioso com Adão e Eva quando os chamou à sua presença e sacrificou um inocente devido ao seu pecado, dando em Cristo (ou segundo Adão) a capacidade dos eleitos um dia serem assuntos aos Céus. Mas a Sua justiça precisou ser cumprida e devido a isso o justo precisou se entregar pelo injusto, indo mais além, hoje toda a criação sofre com o impacto do pecado. Deus jamais poderia ter agido de forma injusta e simplesmente perdoado sem consequências pois isso feriria um de seus atributos. Ainda assim isso não o faz menos Deus.
- Ex 3:7-12 – Deus é imutável e soberano em seus decretos. É impossível a Deus mudar ou renunciar a sua soberania. Ainda assim essa limitação não o torna menos Deus.
- Nm 23:18-21 – Mentir feriria a natureza pura e santa de Deus e por isso é uma impossibilidade. Deus não deixa ser Deus por não conseguir mentir.
- Gl 5:22-23 – Percebamos que aqui há UM ÚNICO FRUTO. Para nós, humanos, é impossível em nossa condição pecaminosa atingir a plenitude de todas essas características, mas sendo Deus a fonte de todo o amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança, Lhe é impossível ferir qualquer um desses princípios pois é negar-se a si mesmo. E isso não o faz menos DEUS.
Agora creio que fica mais simples o querido leitor compreender quando Tomás de Aquino diz “Donde se conclui que Deus é dito onipotente por poder tudo o que é absolutamente possível;” e podemos depreender que o possível jamais gerará contradição da natureza divina. Creio que podemos retomar o questionamento feito no introito deste documento: “Pode Deus criar uma pedra que não consiga levantar?” A resposta é NÃO! Isso feriria Sua natureza devido as contradições essenciais inerentes ao ato e, como ser perfeito e plenamente balanceado, Lhe é impossível desfazer esse equilíbrio para gerar imperfeição intrínseca.
Resta-me apenas citar as palavras de Tomás de Aquino referente a este tópico.
“Todos, em geral, confessam que Deus é onipotente, mas é difícil mostrar a razão dessa onipotência. Pois, pode ser dúbio o sentido dessa atribuição: Deus pode tudo. — Mas, quem considerar retamente compreenderá que, referindo-se a potência ao possível, o dizer-se que Deus pode tudo não significa senão que pode tudo o que for possível e, por isso, dize-mo-lo onipotente. Ora — possível — é susceptível de duplo sentido, segundo o Filósofo. Num sentido, é relativo a alguma potência; assim, dizemos ser possível ao homem o que lhe depende da potência. Ora, não podemos dizer que Deus é onipotente por poder tudo o possível à natureza criada, porque a divina potência tem maior amplitude. Por outro lado, se dissermos que Deus é onipotente, porque pode tudo o que ao seu poder é possível, haverá círculo nesta explicação da onipotência. Pois, seria o mesmo dizer que Deus é onipotente por poder tudo o que pode. Donde se conclui que Deus é dito onipotente por poder tudo o que é absolutamente possível; que é outro sentido da expressão — possível. Assim, uma coisa é possível ou impossível, absolutamente, pela relação dos termos. Há possível absoluto quando o predicado não repugna ao sujeito, p. ex., Sócrates estar sentado; e impossível absoluto, quando repugna, p. ex., ser um homem asno. Mas, devemos considerar que, agindo todo agente conforme a sua natureza, a cada potência ativa, segundo a natureza do ato em que se funda, assim, lhe corresponde o possível, como objeto próprio. P. ex., o que pode ser aquecido é objeto próprio da potência calefactiva. Ora, o ser divino, fundamento da divina potência, é infinito, não limitado a nenhum gênero de ser, mas encerra exemplarmente a perfeição de todo o ser. Por onde, tudo o que tem ou pode ter natureza de ente está contido na possibilidade absoluta, em relação à qual dizemos que Deus é onipotente. Pois, só a noção de não ser se opõe à de ser. Portanto, só repugna à noção do possível absoluto, objeto da onipotência divina, o que implica em si simultaneamente o ser e o não-ser. Porque isto não está sujeito a ela; não por deficiência da potência divina, mas, por não ter natureza de factível, nem de possível. Por onde, tudo o que não implique contradição está contido nesses possíveis, relativamente aos quais dizemos que Deus é onipotente. As coisas, porém, que implicam contradição não constituem objeto da divina onipotência, por não poderem ter a natureza de coisas possíveis. Por isso, é mais conveniente dizer que não podem ser feitas, em vez de dizer que Deus não pode fazê-las. Nem isto vai contra as palavras do Anjo: Porque a Deus nada é impossível. Pois, o contraditório, não podendo ser conceito, nenhum intelecto pode concebê-lo.” (Aquino, 1274)
Art. 4 – Se Deus Pode Tornar o Passado Inexistente
Queridos leitores, ao apagar o passado Deus simplesmente estaria assinando um termo de arrependimento. Estaria deixando claro que algo saiu errado e precisamos reiniciar o projeto. Isto seria assumir que a criação em algum momento esteve fora de sua regência o que passaria a ser uma CONTRADIÇÃO de sua natureza, caindo no filtro exibido na seção anterior. Este que vos escreve é adepto da visão supralapsariana13 e consequentemente acha essa possibilidade duplamente absurda. NADA NUNCA saiu do controle de Deus; tudo o que ocorreu e ocorrerá, foi e será conforme Sua vontade e jamais poderá ser diferente daquilo que Ele decretou. Isso é Soberania, Onipotência, Onisciência e Infinitude operando juntos em um perfeito sistema de Checks and Balances.
“O poder de Deus, como dissemos, não abrange o que implica contradição. Ora, o passado não ter sido implica contradição. Pois, assim como a implica dizer que Sócrates está e não está sentado, assim também que esteve e não esteve sentado. Porque, se dizer que esteve sentado é enunciar um passado, dizer que não o esteve é enunciar o que não se deu. Por onde, não está no poder divino tornar inexistente o passado. E é o que diz Agostinho: Quem diz: se Deus é onipotente torne o feito não feito, não vê que diz: se é onipotente torne falso o que em si é verdadeiro. E o Filósofo: Deus só está privado de tornar o feito não feito.” (Aquino, 1274)
Temos um exemplo do que ocorre ao simplesmente extinguir o passado de alguém: a doença conhecida como Alzheimer. Apagar o passado de uma pessoa é virtualmente matá-la pois ela deixa de existir como ser humano, além de atingir todos os que a rodeiam. Particularmente nunca vi o termo “anistiar” ser utilizado em momento algum na bíblia, inclusive por sua origem vir do termo AMNÉSIA.
Percebamos uma grande diferença conceitual entre as ações de perdoar e anistiar. Somos alvo e agente plenamente passivo daquela mas desconheço qualquer citação desta na bíblia e o motivo é mais simples do que aparenta. O perdão é algo bastante diferente e mais complexo, tanto que existem diversos significados no Latim, Grego e Hebraico que não tenho a menor competência para destrinchar. Dentre todos os significados o que eu mais gosto é aquele que vem do grego Aphiemi – LIBERTAR. O perdão requisitado e concedido não gera o esquecimento pois o que ocorreu não há como ser apagado, faz parte de nossa história e escreve em nossas mentes aquilo que somos e o porquê de agirmos como agimos; nem sempre conseguimos nos desgarrar de todas as consequências inerentes ao ato alvo do perdão, mas temos nossa consciência liberada das algemas e, ainda que machucados, poderemos olhar para os queloides como marcas de uma guerra vencida. Quando perdoados por Deus, permanecemos pagando a consequência do pecado adâmico, ainda precisaremos passar pela morte física e continuaremos sendo alvejados por doenças, fome, angústias e todos os demais problemas decorrentes de vivermos em um mundo que jaz no maligno. MAS NOSSAS MENTE E ALMA estão libertados e temos o acesso ao Sanctum Sanctorum restabelecido. Por isso Deus não APAGA, mas PERDOA aos seus.
É bem verdade que a resposta tomista a esse questionamento está mais próxima daquilo que fora escrito no primeiro parágrafo dessa seção, mas achamos essencial explicitar as diferenças entre perdoar e anistiar para deixar claro que Deus não anistia, mas perdoa aqueles que foram remidos em Cristo e selados pelo Espírito Santo. Isso faz uma absurda diferença escatológica, mas é tema para outros textos.
Conclusão
Queridos leitores, não intentamos trazer-vos uma resposta ou solução precisa, específica, exata, perfeita ou unívoca sobre o conceito de onipotência, soberania ou o tema nevrálgico supracitado pois tratar-se-ia de uma dupla antítese, arrogância e prepotência deste que vos escreve. Precipuamente toda a defesa feita demonstra que somos incapazes de compreender os atributos incomunicáveis de Deus de uma forma plena, quiçá ideal. Complementarmente, jamais conseguiríamos condensar em poucas páginas pensadores que são o alicerce do conhecimento oriental e mundial, principalmente em temas metafísicos.
Este ensaio possui um escopo bastante específico ao informar que se utiliza de algumas percepções e respostas do ponto de vista de Tomás de Aquino para responder vários questionamentos sedimentados em Aristóteles e gestados em Heráclito e Parmênides. Qualquer outro questionamento para além da linha aristotélica poderá necessitar (digo até que certamente necessitará) que nos debrucemos igualmente sobre diversas outras linhas de pensamento para conseguirmos resposta corretas ou ao menos lógicas ao que for levantado. Devemos ter em mente que um mesmo questionamento quando levantado sob diversas ópticas pode necessitar também do respectivo prisma para alcançarmos a melhor solução. Isso fica claro quando questionados, por exemplo, sobre a origem ou sentido da vida por adeptos do niilismo e do existencialismo14, desconsiderando ainda a possível existência de linhas de pensamento derivadas que podem ser opostas entre si15.
Objetivamos apenas abrir vossas mentes à necessidade do aprofundamento em temas complexos e à percepção da existência de um universo de conhecimento que necessariamente precisa ser velejado pelos verdadeiros cristãos com foco no aprendizado acerca de Deus e sua implementação real em nossas vidas e comunidade, jamais desfocando ou desviando-nos da suprema bússola que são as Sagradas Escritura e utilizando todo esse conhecimento como barreira de contenção contra as heresias diuturnamente atiradas para dentro de nossa igreja ou mesmo gestada de forma néscia ou maldosa naqueles que já estão em nosso seio. Queridos leitores a inteligência, cognição, volição e características afins foram atributos comunicados de Deus para o homem e ofertadas por amor a todos os seres humanos, assim sendo comparo-as aos Talentos presentes em Mt 2:14-30. Quando do grande dia o quê apresentaremos ao dono do ouro e da prata? Teremos multiplicado esses belos dons ou os vitimados no ostracismo devido a preguiça? Impedir os atributos comunicados a nós de florescer e frutificar também não seria pecado? Pensemos nisso para que possamos crescer cada vez mais na graça e no conhecimento das sagradas escrituras, acerca da maravilhosa Graça de Deus, no amor de Cristo e na sabedoria do Espírito Santo.
Notas de Rodapé
- Heráclito nasceu na cidade de Éfeso, atual Turquia, e viveu entre os anos 540 a.C. e 480 a.C., aproximadamente. ↩︎
- Para fins didáticos utilizaremos o termo “deus” mas devemos ter em mente que para Heráclito o melhor termos seria “razão” ou “logos” ou “explicação”. ↩︎
- Parmênides nasceu em Eleia, sul da Itália, e viveu entre os anos 515 a.C. e 450 a.C., aproximadamente. ↩︎
- Filósofo e polímata, nascido na Macedônia e viveu de 384 a.C. até 322 a.C., lançou as bases do pensamento filosófico ocidental. ↩︎
- Não é objetivo desse documento aprofundarmos sobre a questões como o Ato ser o fim e a Potência existir em vista do fim, que é o Ato; ou do Ato ser o fim em si mesmo; ou das variações possíveis aos interpolarmos essas variáveis. ↩︎
- Talvez estejas efetuando conexões entre arbítrio humano e soberania divina: quais e se há limites para esses conceitos. É um questionamento válido, importante e também complexo que poderá ser analisado em outro texto visto que precisaremos destrinchar outros pensadores e nos resguardarmos quanto a teorias heréticas de fato e aquelas que beiram a heresia como Arianismo, Pelagianismo, Molinismo, etc.; também ser-nos-á necessário desfazer distorções que alimentam o imaginário popular sobre os conceitos de sinergismo e monergismo. ↩︎
- Esta mutabilidade tão bem quista em Heráclito acaba por transformar o infinito em algo não existente e impossível (não é) na visão de Parmênides. ↩︎
- São modelos de referência ou simplesmente exemplos. É temporal e dado ao anacronismo visto que pode mudar ou perder o significado se não houve contextualização correta em seu uso. Possui natureza Epistemológica e Metodológica. ↩︎
- Arche (princípio / origem) + Typos (modelo / forma). Transcendente e atemporal, pode ser considerado o modelo ideal para metafísica principalmente devido a sua natureza ontológica. Parabéns se isso lhe remeteu ao mundo ideal platônico ou ao inconsciente coletivo de Jung. Embora não sejam foco deste documento, é impossível pensar em arquétipos sem trazer à tona esses dois personagens. ↩︎
- Podemos citar alguns exemplos como o Azimutal, onde quando mais próximo do ponto central, menor a distorção. Enquanto isso o mapa Cilíndrico distorce o tamanho dos continentes mas é útil para navegação por manter direções e formas. ↩︎
- https://www.youtube.com/watch?v=LfixKmCwuKg ↩︎
- Interestellar (Nolan, Thomas, & Obst, 2014) ↩︎
- Supralapsarianismo sustenta que a decisão que a eleição dos salvos ocorreu antes mesmo da queda do homem. No infralapsarianismo, também conhecido como sublapsarianismo, a eleição dos salvos ocorre após a queda do homem. Particulamente vejo o supralapsarianismo a visão mais aderente aos conceitos de Soberania e Onisciência de Deus. ↩︎
- No niilismo nada possui valor inerente e, portanto, toda e qualquer ação humana é desimportante e desnecessária. Resulta na passividade do indivíduo visto que não há motivo para lutar, criar, existir ou viver. O existencialismo concorda em partes quando reconhece a ausência de significado intrínseco, mas foca no arbítrio e responsabilidade individual do ser para criação dos sistemas de crenças e valores, resultando na luta pela vida e distanciando-se da passividade. Em detrimento de Sartre, podemos citar o existencialismo cristão de Kierkegaard que informa a Fé como necessária à realização humana. ↩︎
- No caso dos existencialismos podemos citar Jean-Paul Sartre sua linha ateísta onde a existência precede a essência, enquanto em Soren Kierkegaard encontramos a defesa do existencialismo cristão com sua ênfase na busca pela verdade e significado por meio da Fé, ainda que esta precise se sobrepor à razão. ↩︎
Bibliografia
- Aquino, T. (1274). Acesso em 11 de 11 de 2025, disponível em Lírio Católico: https://www.liriocatolico.com.br/suma_teologica/view/ST.I.Q25/
- CARDOSO DOS SANTOS, Maria Eduarda Bandeira. (01 de 01 de 2013). A relação entre ato e potência na metafísica de Aristóteles. Revista Húmus, v. 3, n. 7, p. 11.
- Descartes, R. (1641). Meditações Metafísicas. Acesso em 12 de 11 de 2025, disponível em humanitas.ufrn.br: https://humanitas.ufrn.br/wp-content/uploads/2025/03/Meditacoes-Metafisicas.pdf
- Nolan, C., Thomas, E., Obst, L. (Produtores), & Nolan, C. (Diretor). (2014). Interestelar [Filme Cinematográfico].
- Quarta dimensão explicada por Carl Sagan (Dublado) (2018). [Filme Cinematográfico]. Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=LfixKmCwuApêndice A – ImagensTodas as imagens abaixo estão com as fontes devidamente explictadas.

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