Condenado pela Justiça
O poético livro de Jó possui um rico enredo que poderia facilmente virar um blockbuster ou novela da Globo em horário nobre. Podemos até dizer que o personagem principal seguiu à fio a Jornada do Herói1 a ponto de, certamente, fazer Campbell aplaudir de pé. Mas, para além da dramaturgia somos confrontados com realidades dolorosas que torcem o espinho incrustado em nossas almas. Nossos conceitos de justiça, amizade e perseverança são levados ao limite e jogados em nossa cara algumas vezes de forma abrupta e outras como se estivessem usando pelica, mas sempre dolorosas. Tudo isso para compreendermos a gratificante resolução do aprendizado final.
Tratando-se de um texto poético, renunciaremos à estrutura expositiva e passaremos à forma temática para que assim tenhamos mais liberdade em navegar por todo o livro de Jó, usufruindo aquilo que esse tipo literário tem de mais forte.
Introdução
Antes de iniciarmos qualquer diálogo, é necessário explicitarmos que o texto traz em suas primeiras linhas o seguinte pressuposto: Deus via Jó como um homem reto, íntegro, temente a Si e que se desvia do mal (Jó 1:1-8). Precisamos ter isso em mente, pois é um dos pilares de todo o livro e, consequentemente, também o utilizaremos para suportar nossas teses.
Ocorre que essa retidão simplesmente não o protegeu das agruras que viriam sobre ele e, pior, serviu justamente como catalisadora para a tragédia descrita nas páginas seguintes. E então, devemos dizer que isso é injusto?
Perda do Sustento
O primeiro alvo do diabo são os bens materiais que rápida e tragicamente são subtraídos, ao que Jó respondeu imediatamente de forma submissa e compreensiva. O protagonista nos mostrou a percepção que tudo que possuía fora dado pelo Pai e, assim, Ele possui total autonomia para tomá-lo de volta, demonstrando assim a perfeita submissão que o personagem possui à vontade de Deus; mesmo não a compreendendo em sua plenitude. Neste caso podemos dizer que nem sequer na superfície.
Tragamos essa realidade para os dias atuais. Em uma sociedade tão materialista, cujo “aparentar” tornou-se motivo de existir das pessoas e resultou na exposição de vidas luxuosas em meio às redes sociais, enquanto muitas vezes falta o recurso básico dentro de casa, perdemos a capacidade de agradecer por tudo o que temos ou construímos enquanto alimentamos a ganância de possuir e consumir cada vez mais bens ou sentimentos. A linha separadora entre o conforto e o consumismo doentio foi rompida.
Vemos isso refletido no maremoto de teologias humanistas engolindo púlpitos atuais. Prosperidade e Positivismo têm substituído a Cruz justamente por focarem no materialismo, escambo espiritual ou apresentação de um Deus meramente finalístico, fato diametralmente oposto ao que Jó fez. Ao afirmar que somos o ponto fraco de Deus, estamos simplesmente destruindo Sua onipotência e não só comparando-nos ao Pai, mas superando-o no atributo onipotência. Conseguimos agora perceber a força do que foi dito? O DONO DE TUDO e SOBERANO SOBRE TODAS AS COISAS decidiu que era hora de tirar aquilo que havia me dado. Bendito seja Ele por isso.
Somos néscios ao pensar que não devemos lutar para termos conforto, pois possuir dinheiro e riqueza nunca foram pecados em si, lembremos de Filemon cuja riqueza era usada em prol do evangelho2. Contudo, se nosso coração e valores estiverem nessas coisas então precisamos repensar firmemente o nosso cristianismo e, se for preciso perdê-los para que possamos manter nossa integridade relacional com Deus, “bendito seja o nome do Senhor”.
Perdas Irreparáveis
A tragédia não se conteve em atacar o ciclo exterior, ou meramente material, de Jó. Seus bens e finanças poderiam ser repostos, afinal, quantas vezes não escutamos a máxima “ainda bem que as perdas foram apenas materiais!”. O Diabo agora subtrai algo que é insubstituível, seus filhos. Não atrever-me-ei a mensurar o tamanho do desespero que certamente tomou conta do protagonista. Os leitores que são pais sabem muito bem que filhos são insubstituíveis. Ainda que tenhamos uma dezena ou vintena deles, nenhum toma o lugar do outro nem compensa a perda havida. Ainda assim Jó não pecou nem culpou a Deus.
Abro meu coração aos leitores ao dizer que minha esposa e eu passamos pelo aborto espontâneo de um filho(a) muito querido(a) e esperado(a). Por diversas vezes na solidão do quarto pranteei a perda, sim, rasguei meu coração e só pensava: “Quero meu filho de volta!”. Mas em momento algum confrontei Deus nem pus o dedo em riste, mirando-lhe meu ódio. Vivi cada segundo do meu luto e essa passagem foi que me deu forças para continuar andando e jamais culpá-lo por algo. Fácil? Jamais! Impossível? Não! Deixo claro aos leitores que não passa em minha mente comparar-me a Jó, mas exponho essa história para mostrar como está mais próxima da nossa realidade do que pensamos, além clarificar quanto àquilo que somos capazes em Cristo e com a força do Espírito Santo.
As (des)Amizades de jó
Deus comunicou a nós sua natureza relacional, então nada mais natural do que nos rodearmos com aqueles com quem possamos dividir e dispensar todos os sentimentos inerentes à natureza humana. Com os amigos verdadeiros sentimos raiva, alegria, paixão, ódio, angústia, esperança e, quanto mais maduros a amizade e os envolvidos, torna-se salutar a busca de ajuda quando de momento de necessidade. O livro de Jó em momento algum informa falsidade na amizade entre Elifaz, Bildade, Zofar, Eliú e ele; antes, explicita o relacionamento como de longa data (Jó 2:11-13). Infelizmente eles nos ensinaram que precisamos ter sabedoria e discernimento pois mesmo os melhores amigos podem errar de forma rude em sua orientação e aconselhamento.
- Elifaz: estava totalmente vazio de empatia e findou por culpar Jó por todos os acontecimentos, se baseado em nada mais que experiências pessoais e místicas. Sem embasamento doutrinário algum e apenas baseado em uma visão, sopro, etc. (Jó 4:12-16) acusa e julga Jó como agente de sua própria maldade sem apresentar qualquer prova do fato (4:7-8, 5:20-24 e 22:5-9).
- Bildade: A arrogância o tornou intérprete da justiça de Deus e apto a julgar culpados todos os que foram tocados pela tragédia. Assim o fez com os filhos de Jó pelas suas respectivas mortes e ainda o repreendeu a assumir e se retratar de seus erros para, assim, voltar ao caminho da Graça de Deus (8:1-7).
- Zofar: Esta foi a maior aula de legalismo dentre todos os presentes ao afirmar que todo o ocorrido ainda foi pouco mediante aquilo que Jó merecia. Ainda teve a audácia de ridicularizar o protagonista quando este defendeu sua inocência diante dessa tribuna infernal. (11: 1-12)
Estes amigos promoveram um verdadeiro show de horrores. Em minha caminhada cristã, escutei de muitos irmãos na fé palavras como “Tem pecado escondido”, “Vamos orar para que Deus revele tudo”, “Enquanto não se consertar com Deus, vai continuar sofrendo” e tantas outras frases afins, mas nada compara-se aquilo que Jó deve ter sentido ao escutar todas aquelas atrocidades e acusações.
Como supracitado, não há como negar a existência de um longevo relacionamento entre os personagens para com Jó, assim como sua sinceridade, mas ouso aqui questionar a maturidade. Se conhecessem Jó tão bem como deveriam, teriam resvalado em erros tão crassos? Qual o nível de arrogância dessas pessoas para acharem erros que nem o próprio Deus os viu? Quantas vezes fazemos este mesmo papel ao acusar levianamente nossos irmãos?
A Fé abalada pela tragédia
Vamos focar um pouco na esposa de Jó. Uma personagem por vezes esquecida ou até mesmo injustiçada quando observamos ser alvo de diversos ataques por mero ódio ou falta de empatia dos leitores. Jamais reduziremos o peso de sua postura e palavras ao aconselhar Jó a amaldiçoar Deus e Morrer, mas não podemos esquecer da dor e do luto que ela também o passou ao perder tudo junto com seu marido. Jó foi, é e sempre será o foco e protagonista dessa história, assim como o alvo primevo do ardil satânico, mas nunca o único a receber as consequências. Caso o caro leitor assuma a posição de que Jó não foi culpado por nada do que ocorreu, sua esposa ainda menos e isso torna-se mais forte quando nos inserimos no contexto social patriarcal da época.
Todo o livro fala muito pouco dela e a falta de informações bloqueia-nos a assertividade, mas podemos simplesmente imaginar o trauma e a dor daquela mulher e mãe? Será que ao falar isso para ele, sob um prisma psicológico e dando-lhe a empatia que ela merece, não seria aquilo um reflexo do que ela almejava para si? É tão difícil assim imaginarmos que ela estivesse pensando “antes eu tivesse morrido junto!”? Certamente não podemos, de forma alguma, retirar explicitamente isso do texto e dizer objetivamente de seus sentimentos, mas lembremo-nos que por ser um livro POÉTICO, esse nuance não pode ser plenamente defenestrado.
O fato é que naquele momento ela promoveu uma ruptura e mostrou um completo paradoxo em relação à postura que seu marido; não à toa a resposta veio de forma tão dura quanto imediata: “Você fala como uma insensata. Aceitaremos o bem dado por Deus, e não o mal?”
Sempre almejamos no posicionarmos como Jó diante das diversidades e agruras da vida. Se esta história fosse alguma literatura fantástica ele seria o herói exemplo para todos, mas na maioria dos casos o nosso posicionamento é o de sua esposa e creio que ser esse o motivo dela estar nessa história. Percebam a antítese dessa cena: almejamos ser o personagem até então perfeito e rejeitamos sua esposa quando, na realidade, somos mais propensos a nos posicionarmos da forma que acabamos de rejeitar. Maravilhosamente vemos ao fim da história a reconciliação das partes para com Deus no ensinando que ainda que tenhamos rejeitado Deus, em sua misericórdia Ele reconcilia os Seus consigo.
Um outro ensinamento possível, devido ainda à natureza poética e consequentemente romântica do texto, é a restauração do vínculo resultante da primeira instituição criada por Deus: O casamento. “Pela autoridade a mim concedida [por Deus], eu os declaro marido e mulher até que a morte os separe.” Uma frase tão dita, almejada, festejada e, simultaneamente, esvaziada, esquecida e subvalorizada. Neste momento os noivos selam perante a comunidade e ao próprio Deus que se tornaram uma só carne e corpo em um laço que apenas o Pai poderá desfazer, mediante a morte de um dos pares. Consequentemente podemos inferir que o Diabo não estava autorizado a desfazer algo exclusivo do Pai e muito menos subtrair a vida da Esposa porque ela e Jó eram um só mediante o contrato matrimonial adquirido. Faço questão de repetir: essa leitura só pode ser feita devido a natureza poética do livro e não se encaixaria se fosse outro estilo literário, ao mesmo tempo, este torna-se exatamente o motivo pelo qual não poderíamos excluir tal percepção do nosso texto
Assim como a mais sólida das construções, dona dos pilares mais robustos de toda a criação não consegue resistir às intempéries, Jó nunca deixou de ser humano, ainda que o maior de todos, um humano. Carne, osso, sangue, volições, medos, angústias e a natureza pecadora faziam parte dele, como de qualquer outro. Sapientemente o autor não deixou de descrever-nos os momentos de fragilidade em que o protagonista trafegou entre o desespero e a acusação direta a Deus. Vejamos a exposição de dor durante todo o capítulo 3 para, logo após seus amigos começarem toda a digressão citada acima. Não há como ler e não se compadecer da angústia descrita neste texto.
No capítulo 16 vemos clarificar-nos que se sentia atacado por Deus, principalmente quando implorou por um intercessor que pudesse findar seu sofrimento. Este capítulo é o momento em que ele abre o coração pois diz se sentir perseguido por todos, inclusive pelo próprio Deus, somos apresentados ao seu sofrimento devido a condição física e decepção com aqueles que ele mais esperava apoio, inclusive ao implorar por justiça por saber que nada fizera para resultar em todo aquele sofrimento.
No capítulo 31 temos o juramento final de Jó. sentindo-se abandonado até pelo próprio Deus visto que não houve qualquer resposta d’Ele às suas demandas, o protagonista implora que seja amaldiçoado de vez caso exista culpa em si. Ao invés disso vemos a coerência com a integridade descrita no capítulo 1 do livro, agora exposta de forma mais analítica já que explicita diversas áreas dignas de escrutínio e sem sombra de ilicitudes no personagem.
Percebamos o quão abalado Jó encontra-se pois não apenas desconhecia o motivo como tinha a certeza de não haver nada que poderia ser-lhe imputado3. Por isso clamava constantemente pela justiça divina. Não há ser humano no mundo que passe por isso sem se abalar e, ainda assim não vimos no livro palavras vindas do acusador e muito menos do Criador que desabonassem a integridade do nosso protagonista.
Jó, EU SOU!
Após três ciclos de debate entre os quatro personagens (lembremos que a esposa de Jó permaneceu apagada da história) sempre girando em torno do motivo do sofrimento de Jó e este sempre precisando defender-se afirmando sempre que nada havia que o desabonasse, Deus inicia seu discurso.
Assim como um pai que precisa antes de iniciar o diálogo mostrar ao seu rebento de tenra idade que este nada sabe sobre como as coisas funcionam, nos capítulos 38, 39 e 41 Deus sabatina Jó quanto ao funcionamento de todas as coisas que estão presentes na criação e como elas se mantém e relacionam. Astonomia, climatologia, fauna, flora, imensidão do desconhecido, etc. Como um bom filho que é, após a grave resposta obtida e perceber sua absurda posição de tentar colocar Deus nas cordas, reconhecendo sua pequenez e resignando-se a seu lugar, Jó demonstra toda a sua humildade, submissão e arrependimento mediante a grandeza divina, fato esse condensado em 42:1-6
Conclusão
Queridos leitores, é necessário reconhecermos quotidianamente somos impelidos a assumir uma das posições ou características dos personagens discorridos no texto. Não podemos ser ligeiros em julgar o próximo quando desconhecemos as variáveis que circundam o evento, ou partir do princípio de sermos a pedra angular da moral e justiça divinas. Isso demonstra, quando menos, arrogância e prepotência e passaremos por meros legalistas assim como os amigos de Jó. Também devemos ter em mente que todos os cristãos passarão por tribulações como qualquer outro habitante desse pontinho azul da Via-Láctea e, ainda assim, jamais devemos tomar a posição da esposa de Jó e incitar a ruptura de qualquer pessoa com Deus. Este foi um erro muito pior que os de Elifaz, Bildade, Zofar. Claro que passar pelo luto é doloroso, mas é necessário para mantermos a sanidade mental e amadurecermos como um todo. Ainda que esta personagem seja alvo de minha plena e total empatia, jamais podemos fechar os olhos ao absurdo por ela proposto.
Claro que precisaremos nos deter um pouco mais em Jó e jamais deixar de lembrar que ele foi o baluarte dessa história. Devemos sim aprender com todos os seus acertos: resiliência, fé, sinceridade etc. Entretanto, devemos tomar cuidado ao pedir sobre nós a justiça divina, pois o único motivo pelo qual não somos consumidos é a pura e plena misericórdia de Deus (Lm 3:22,23). Peço todos os dias ao nosso Senhor que ele sempre tenha sua misericórdia por saber que qualquer pecador alvo imediato da perfeita justiça do Pai, será instantaneamente consumido por não suportar sua santidade. Acharmos que somos dignos de sermos alvo da justiça divina foi o passo que levou Jó a tentar encurralar Deus, colocando-O contra as cordas, e cobrar d’Ele aquilo que dizia ser seu direito. Percebamos que Jó chegou nesse ponto quando acusou Deus de tê-lo esquecido, impeliu-o a dar as respostas que tanto necessitava e amaldiçoou o dia em que foi trazido à vida.
Não há como finalizar sem tecer dois comentários que provavelmente já foram ditos para todos os nossos leitores, mas isso não faz deles menos verdade ou importantes.
Embora justo e íntegro e obediente as leis divinas, apenas após todo esse processo é que alcançou um novo patamar na compreensão da soberania de Deus, passando agora a enxergá-lo. Muitas vezes somos provados para que possamos também evoluir em nosso relacionamento com Deus ou mesmo servir de exemplo para todos os que virão após nós.
Àqueles que exalam arrogância e prepotência, principalmente escudando-se no legalismo, hipocrisia, demagogia ou religiosidade vazia será sim alvo de um deus justo. Transcrevo aqui Jó 42:7-8:
“Tomai, pois, sete bezerros e sete carneiros, e ide ao meu servo Jó, e oferecei holocaustos por vós, e o meu servo Jó orará por vós; porque deveras a ele aceitarei, para que eu não vos trate conforme a vossa loucura; porque vós não falastes de mim o que era reto como o meu servo Jó.
Então foram Elifaz, o temanita, e Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita, e fizeram como o Senhor lhes dissera; e o Senhor aceitou a face de Jó.”
MAS E ELIÚ? Porque não foi repreendido por Deus? Parabéns aos leitores que lembraram dele. O mais jovem de todos os amigos de Jó apresentou o discurso mais equilibrado. Enquanto os demais falavam de agiam de forma meramente legalista e pregavam uma teologia meramente retributiva, ele defende a soberania divina sobre todas as coisas, principalmente acerca do que Jó vem passando (36:22-23), coadunando com a lição de soberania dada pelo próprio Senhor nos capítulos adiante. Além disso Eliú faz duas coisas excepcionais: repreende Jó pelo correto motivo de tentar justificar-se e ainda apresenta toda aquela situação como pedagógica e não punitiva (33:14-30).
Por causa disso Eliú não foi alvo da reprimenda divina e, assim como ele, devemos ser equilibrados em nossas palavras para fugirmos da arrogância e sermos verdadeiramente sal nessa terra não carente do amor e da justiça divinas.
- Também conhecido como monomito, trata-se de uma estrutura narrativa cíclica, identificada pelo mitologista e escritor Joseph Campbell em seu livro “O Herói de Mil Faces” (1949). Campbell analisou diversos mitos antigos e histórias universais, concluindo que todos seguiam um padrão fundamental comum que reflete a experiência humana universal de transformação, sacrifício e amadurecimento. ↩︎
- No versículo dois da carta à Filemon, Paulo deixa claro que o destinatário mantinha uma igreja em sua casa. O fato dele possuir escravos, como Onésimo, explicita riqueza e status de Filemon. ↩︎
- No livro O Processo, obra do escritor checo Frans Kafka, onde o personagem principal é acusado de algo que não lhe é dito. Vemos seu sofrimento por desconhecer o motivo da acusação e, consequentemente, não conseguir montar uma defesa, embora as consequências do crime estejam batendo à porta. ↩︎

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