Dedico este poema à minha esposa, que continua sendo todo o meu mundo mesmo após passados mais de uma dezena de anos desde nossos votos, e mais de uma vintena do primeiro beijo – roubado, claro!!! 2025 brindou-nos com um fruto maravilhoso que contra tudo e todos, contrariando as estatísticas e a medicina e vencendo o tempo e as expectativas, trouxe nova vida à nossa casa e família.
O rábido Tempo insiste em fagueiro fazer-se,
Mas não passa de um vulgo revel bebedor e beberrão das lágrimas apaixonadas dos finitos amantes.
Faz-se celícola,
Promete-nos tesouros, sonho e asas enquanto sorrateiramente usurpa-nos um do outro.
Tão maligno quanto imo,
Mais tredo que a pior das serpentes.
Mas a anosidade, que em muitos apenas obumbra cores e luzes,
Levou-me ao mais esplendoroso outeiro onde pude vislumbrar o tempo, e o além dele.
Vi que sua força não passa de uma mentira,
Uma forma de fugir do acúleo que o atormenta.
O Tempo não é o início de tudo e, portanto, jamais será o fim de nada!
O Tempo infla-se em seu teatro de sombras para que jamais saiamos da caverna,
Embora saiba que ele também não passa de uma mera sombra.
Mas onde há sombra residual, há a luz da criação.
Esta sim! Fagueira e upente,
Abraça em pressurosa sufusão aqueles que conseguem discerni-la.
Assim é sua presença:
Inequívoca…
Forte…
Lauta e Exática
Capaz de ribombar o báratro em seus mais somenos rincões.
Poucos têm o prazer de ver-te descer do áureo alcárcer,
Mas todos se abalam com sua númen natureza.
ERGA-SE SEMPRE, pois ninguém é capaz de submeter essa aljôfar!
LUTE, Pois não há broquéis no mundo capazes de resistir ao seu impacto.
RUJA com essa voz aciculada e precisa,
MOVA-SE ALÍPEDE para perto de mim, minha poderosa ultriz,
Assim, o profano tempo poderá voltar zumbrido e menoscabado ao seu fétido lupanar

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